Review+Filme mau: "Vantage Point" 3*10


Um filme que parece à primeira vista bastante entertaining mas que se revela ser um mau episódio da série "24"...

O presidente dos Estados-Unidos (William Hurt) desloca-se até Salamanca para assinar um acordo contra o terrorismo global. Quando é apresentado ao público, é baleado. Nesse momento, o seu chefe de segurança, Thomas Barnes (Dennis Quaid), repara num pormenor que o pode levar até ao assassino. Ele e o seu colega (Matthew Fox) partem para a investigação mas uma bomba explode na praça e tudo se torna num caos. Os suspeitos escapam, e inicia-se então uma caça ao homem. Mas nem tudo parece ser o que é...

O grande argumento de "Ponto de mira" era supostamente os 7 pontos de vista diferentes sobre o mesmo acontecimento (o ataque ao presidente). Infelizmente, esse argumento não serve para nada. A história não tem consistência, é tão básica e linear que não há nada de verdadeiramente interessante em mostrar o quê que os vários "protagonistas" viram. Certo, cada personagem acrescenta uma história paralela ao plot principal, mas mesmo assim não é nada de relevante ou digno de interesse. A realização é muito televisiva e pouco inspirada. A grande cena de perseguição é desperdiçada e mal coreografada (vê-se a metros de distância o espaço reservado para o carro protagonista). Os actores estão todos bastante ridiculos (sobretudo devido a diálogos que misturam o Espanhol com o Inglês de uma forma estranha (o Americano fala em Inglês, respondem-lhe em Inglês e de seguida o Americano fala em Espanhol e respondem em Espanhol...). De resto, tecnicamente, não supera uma série mediana (episódios de "24" são bem mais emocionantes) e o rewind (que antecede um novo ponto de vista) é enfadonho.

Conclusão, "Vantage Point" é um filme que se perde com o seu conceito e não tem mais nada para oferecer. Não é um bom divertimento e acaba sempre por ser mais ridiculo do que empolgante. A evitar.

Stay tuned.

Review: "The Spiderwick Chronicles" 6*/10


Desde o "Senhor dos Anéis" que somos bombardeados todos os anos com adaptações literárias de fantasia. Entre "As crónicas de Narnia" e outros "Segredo de Terabitia", são várias as adaptações que vão aparecendo nas nossas telas. Admito que não vi a "Bússola dourada" mas, estas "Crónicas de Spiderwick", é provavelmente um filme mais interessante e sobretudo menos hollywoodesco.

A familia Grace acaba de chegar de Nova-Iorque para se instalar na casa de um tio. A casa fica no campo onde a vida é pouco movimentada. Jared (Freddie Highmore) é um jovem um pouco rebelde que não consegue ultrapassar o divórcio da mãe e culpa-a de tudo. A sua irmã e o seu irmão gémeo (também interpretado por Highmore) são mais pacíficos com a situação. Na noite em que chegam, Freddie é atraído por barulhos estranhos em casa e acaba por descobrir um elevador secreto que leva ao escritório do tio, Arthur Spiderwick. No escritório, encontra um livro com uma proibição para ninguém o ler. Curioso por natureza, Jared lê o livro e desperta umas criaturas que têm vivido no meio de nós desde sempre. Essas criaturas são nos invisíveis a não ser que se possui uma lente especial ou que elas desejam serem vistas. Entretanto, Jared descobre que o livro é cobiçado por um ogre que pretende dominar o mundo de fantasia. Como sempre, ninguém acredita em Jared...

Com o trailer, é dificil atrair uma audiência mais adulta ao cinema. Por um lado, soa tudo a "déjà-vu" e por outro, parece demasiado orientado para as crianças. Não vou negar que o filme seja um pouco infantil, mas também é certo que tem alguns trunfos na manga para entreter qualquer um de nós. Primeiro, é bastante fluido, a história (apesar de profundamente cliché) é nos contada sem demasiados tempos mortos. Depois, Freddie Highmore é eficaz no seu duplo papel (a excepção do sotaque...). Para terminar, as criaturas são bastantes interessantes nomeadamente graças a uns efeitos especiais de qualidade. Se quisermos resumir, seria uma pena não dar uma vista de olhos ao filme simplesmente porque parece demasiado infantil. Acreditem em mim, é hora e meia de boa diversão.

Stay tuned.

Review: "I'm not there" 5*/10


Vou tentar condensar as próximas 5 reviews só para actualizar...Como já mencionei, há muito que não venho cá escrever...

Realizado por Todd haynes (Far from heaven), este pseudo-biopic sobre um Bob Dylan em constante metamorphose é antes de tudo uma obra destinada aos fãs do senhor. O filme é longo e por vezes aborrecido (mais uma vez, sobretudo para os não conhecedores da obra de Bob Dylan) mas mesmo assim é uma obra estranha, espécie de OVNI cinematográfico que tem o mérito de ser original na representação de uma entidade física. Actores conhecidos não faltam, música de de Dylan também não. O segmento com o falecido Heath Ledger e Charlotte Gainsbourg é provavelmente o mais interessantes de todos. A interpretação de Cate Blanchett é irrepreensível. Michelle Williams é irreconhecível. E nós estamos já um pouco fartos daquilo. Falta "sumo", ou algo de dramaticamente mais intenso.

Se gosta da obra de Bob Dylan, o mais certo é apreciarem esta obra demasiada destinada a uma audiência especifica. Se não, é provável que se sintam um pouco à margem desta obra invulgar mas sem no entanto ser desinteressante.

Stay Tuned.

Inquérito 7: "Leatherface" Wins


Há muito, muito tempo que não vinha postar aqui no blog. Admito que tenho estado ocupado e sobretudo ocupado a escrever um argumento (para avaliação) que me está a dar muitas dores de cabeça...Mas enfim, agora é tempo de anunciar o grande vencedor deste sétimo inquérito. Com um total de 7 votos (eu sei, eu sei...Continuo na média...) o grande vencedor foi o vilão do filme "Massacre no Texas" com 4 votos. Em segundo lugar, o armário chamado Michael Myers da saga "Halloween" com 2 votos. E no terceiro lugar, a boneca mais diabólica de sempre com o tenro nome de Chucky vista na saga "Child's play". Bom, agora votem mais no novo inquérito...Please...

Stay Tuned.

Review: "Halloween" 4*/10


Um novo remake de um clássico do terror mas, desta vez, por alguém que já demonstrou capacidades no sórdido e na representação da violência: Rob Zombie.


Illinois, Estados-Unidos. A familia Myers é um tanto ou quanto disfuncional. A mãe é stripper, a irmã é uma bitch, o padrasto tem um lado pseudo-pedófilo e o irmão, Michael, é a risada de todos e um incompreendido pela sociedade. Um dia, Michael mata um colega. Nessa mesma noite, Michael mata a familia, a excepção da mãe e da irmã bébé. Michael vai para o manicómio. 17 anos depois, Michael escapa e volta a matar como se não houvesse amanhã enquanto procura pelo único membro da familia por quem nunca teve ódio: a irmã mais pequena.

Neste tipo de filmes, a lógica é sempre a mesma. Um assassino, pessoas que não conseguem fugir e muito grito e algum sangue. Neste aqui a formula não muda, apesar de se notar que atrás da câmera não está um novato vindo do clip, mas sim alguém com uma paixão pelas familias quebradas e sobretudo por peitos jovens e violência. O problema do filme está sobretudo na estrutura, demasiado longo para nos aborrecer ao inicio e depois, demasiado despachado para provocar realmente medo. O problema deste "Halloween" ou do original está sobretudo no seu argumento mas o original mantém uma vantagem sobretudo devido ao ano em que foi realizado: 1978. Nos anos 70, um filme como este espalhava realmente o medo já que a relação das pessoas com a violência era muito menos acentuado do que hoje em dia. Daí derivar o problema do remake que não faz uso de muita inteligência para aterrorizar o espectador. Na maioria das cenas, não existe uma tensão palpável muito por causa de uma realização ou demasiada contida ou simplesmente muito pouco inspirada. Rob Zombie limita-se a alinhar as cenas de morte sem terem realmente qualquer valor dramático. O filme salva-se na sua parte final em que o Michael Myers que todos conhecemos invade o pequeno bairro e impõe um certo respeito. Admito que gosto muito da mascara e que por vezes lamento que não se soube captar a essência demoníaca que a personagem transpira. Lamento também que as vitimas se arrastem pelo chão a gritarem (uma constante) e o miúdo que representa Myers em criança se pareça com um dos irmãos "Hanson" (temi durante uns minutos que ele começasse a cantar "Humm-bapppp-dap-ba-doo-bap". Felizmente, não aconteceu).

Conclusão: Esta re-leitura do clássico de Carpenter por Rob Zombie poderia ter dado algo de bem mais terrifico caso o realizador não decidisse atenuar a violência. sendo assim, o filme não provoca medo, e todo o sangue derramado é em vão. Se gosta de "maminhas" talvez o filme se torne uma opção mas mesmo assim, não conte muito com isso. O filme cheira a Rob Zombie e até tem a mulher e tudo, mas acaba por ser uma encomenda demasiada gentil que não sabe aproveitar a magnitude do vilão.

Review: "10.000 B.C" 4*/10


Roland Emmerich, realizador de sucessos como "Independence Day", "Godzilla" ou mais recentemente, "The Day After Tomorrow" regressa este ano com uma obra épica...ou melhor epicamente entediante...


Algures, 10.000 antes de Cristo, vive uma tribo chamada Yagal (será assim que se escreve???) que um acolhe uma menina de olhos azuis que recentemente escapou ao "diabo de 4 patas" que aniquilou toda a sua aldeia. Felizmente para os Yagal, a menina confirma que a profecia local (uma menina de olhos azuis surgirá para salvar o povo...blá,blá,blá...) está prestes a concretizar-se. De'leh, Yagal de raça e filho de um suposto traidor que anos antes abandonou a sua tribo, está obviamente apaixonado por ela. Após uns anos é tempo para os, agora adolescentes, Yagal's caçarem o mannock, espécie de mamute, para alimentarem a tribo. Após caçar um sozinho (ou quase) De'leh ganha o respeito de todos e o direito a casar com Evolet (a menina de olhos azuis). Infelizmente para eles, uma raça vinda do sul ataca a tribo e rapta alguns dos membros, inclusivé Evolet. De'leh (que estava a dormir na neve afastado da tribo) não consegue impedir tal acto e por isso decide partir numa missão de resgate com TicTic o fiel amigo do seu pai e seu mentor...

Bem, isto assim até parece emocionante. Após ter visto o primeiro trailer, disse logo "Hummm isto aqui não me cheira nada bem...". Conclusão: Tinha razão. Admito que já vi todos os filmes do senhor Emmerich (a excepção do "Patriota") e reconheço que é um tarefeiro bastante competente no que toca a blockbusters com ideias e temas de destruição massiva. Neste seu filme épico pré-histórico, Emmerich falha quase todos os pontos importantes do um divertimento. O filme tem 1h50 e parece ter perto de 2h30, os efeitos especiais são bons mas muito,muito mal aproveitados ou inseridos. O elenco não consegue criar laços com a audiência e certos elementos brincam com a nossa paciência (a personagem Baku, por exemplo). O argumento é pobre e muito mal estruturado (basicamente, o filme avança com a descoberta de profecias...Ou seja, a personagem principal faz parte das profecias de meio mundo) e para completar o todo, existem muitos planos duvidosos naquela realização repleta de falhas de planificação. Enfim, nem tudo é mau. Salvam-se duas ou três sequências minimamente eficazes (o ataque das avestruzes gigantes,por exemplo) e pouco mais.

Conclusão: Gosta de filmes épicos? Gosta de pipocas? Bem, é provável que não goste deste filme que apesar de ser vendido como um "épico de outros tempos" só consegue provocar o aborrecimento entre os espectadores. 10.000 A.C? Não, 10.000 Anos de Tédio.

Stay Tuned.

Inquérito 6: "Fight Club" wins


Ao sexto inquérito, questionei os leitores do blog (que pelos vistos são pouco...ainda) sobre qual era, para eles, o melhor filme do grande David Fincher. Em 7 votos, 6 foram para o excelente "Fight Club" e um para o filme que deu um novo rumo aos filmes policiais, "Se7en".

Stay Tuned.

Review: "The Other Boleyn Girl" 6*/10


Quando saí da sala de cinema estava mais satisfeito do que quando o filme começou. Lembro de ter dito a um amigo meu que me mandou uma sms a perguntar que tal tinha sido o filme de lhe ter dito que tinha gostado, que era "um 7"...Depois de pensar novamente nele, há coisas que realmente não se podem perdoar e decidi baixar a minha nota.

Anne (belissima Natalie Portman) e Mary (Scarlett Johansson) são duas irmãs muito chegadas que vivem no campo com o irmão e os pais. Um dia, o tio aparece por casa com uma informação que ainda ninguém tem: o rei de Inglaterra (Eric Bana) está a beira do abismo já que a sua mulher não lhe consegue dar um filho e pode estar à procura de uma amante. Com esta informação preciosa, o tio e o pai das irmãs decidem convidar o rei a passar alguns dias na sua habitação, com a esperança de que Anne o consiga seduzir já que Mary era casada com um habitante local. Com a chegada do rei, Anne consegue os seus objectivos, levada pela ambição de um novo estatuto social. Infelizmente, o rei sofre um acidente por culpa de Anne e quem o trata é Mary, pela qual ele se apaixona. Com este desfecho, as duas irmãs vão entrar em colapso já que uma está cega de ambição e a outra, cega de amor.

Para começar, não sou grande fã de filmes de época. Aqui, o que me levou ao cinema, foi sem dúvida alguma o elenco de qualidade. Eric Bana é bom actor, não tenho dúvida disso, acho simplesmente que, como qualquer actor, por vezes faz escolhas erradas. Aqui, a sua interpretação de rei é de qualidade, mas sem nunca se destacar. Sejamos honestos, o argumento aposta pura e simplesmente nas duas actrizes principais. A Scarlett é uma escolha acertada pelo o seu físico, facilmente a identificamos com a época já que parece uma personagem tirada dos quadros renascentistas. Relativamente a sua interpretação, não creio que seja excepcional, mas consegue convencer no papel da irmã inocente e demasiada meiga. Agora, o trunfo: Natalie Portman. Digam o que disserem, a rapariga está espantosa e lindissima. Sempre fui um admirador da actriz que não consegue aparecer sem ser notada. A sua Anne é de certa forma diabólica, não olha a meios para chegar ao topo. A sua personagem é ambígua e instável e tudo isso é nos transmitido com uma facilidade desconcertante. Prestem atenção ao final porque tudo é ainda mais saboroso. Se o elenco é bom, o que falha então? Primeiro, o argumento. Baseado numa obra literária, o argumento tem dificuldades em desprender-se desse facto. As coisas parece durar uma eternidade e existem cenas que poderiam ser encurtadas ou completamente eliminadas sem nunca afectar a narrativa. E depois, a realização completamente ao lado. Se existem planos e cenas cuidadas (a cena de amor é bastante boa), muitas vezes o realizador passa de uma realização contida e clássica, para algo que mais se assemelha a série "24". Porquê usar câmera à mão no plano fixo? E porquê abusar das transições a negro ou laterais?Para terminar, a fotografia que é provavelmente uma das piores dos últimos anos. Creio que não existe um plano com a mesma luz. Reparei no inicio com aqueles tons castanhos saturados que passam facilmente para planos completamente deslavados e frios. Durante o filme, é uma constante.

O filme técnicamente é de mau gosto, mas a história e sobretudo os actores (enfim, a Natalie Portman) tornam o filme interessante e por vezes absorvente. Atenção aos alérgicos dos filmes de época.

Stay Tuned.